sketchbook therapy

the every day experience on drawing for an healthy life

::some criticism::

ENTRE O DESENHO E O CORAÇÃO
2014::MAI::8

Os diários gráficos do Marco Costa têm mais desenhos que dias. Esta ânsia experimental pela plasticidade do desenho seduz-nos a espreitar o quotidiano registado nos quase vinte cadernos expostos. Se bem que, na verdade, as obras não estejam expostas, mas, partilhadas, e na condição de serem exploradas devagarinho, porque são diários pessoais e, enquanto tal, têm sempre algo de secreto, que intima o observador à cuidadosa invasão do privado.
Às vezes são quase pequenas narrativas, contos, descontinuados e reunidos em conjunto apenas porque o formato do caderno assim os obriga. O suporte é o fólio, em cadernos de formatos variados, desde o caderno de notas de bolso com folhas brancas ou quadriculadas, a caderno de argolas, e/ou em cadernos resgatados e reutilizados. Todos estão intensamente preenchidos do princípio ao fim.Acompanham o desenho, colagens e assemblagens de bilhetes e etiquetas, excertos de textos e comentários que traçam o quotidiano do autor desde 2009 até ao presente.
Mas é o interior do processo criativo e exploratório do desenho que propicia a intimidade da descoberta das centenas de registos de detalhes anatómicos, do rosto e mãos em gestos bruscos ou suaves; figuras públicas e privadas, em silhuetas isoladas ou em grupos alvoroçados. A figura humana na pluralidade de movimentos, formas, atitudes e expressões é o elemento mais amplamente explorado nos exercícios das potencialidades do desenho, e dos materiais, também eles plurais com predomínio da grafite, do carvão e das esferográficas.
As linhas curvas dos corpos contrastam com as formas concretas das letras e números, tramas e padrões e uma imensa variedade de objectos do quotidiano que emergem nas atentas composições que o autor, mais que uma vez por dia, regista.
O conjunto de desenhos do Marco Costa agora exibidos comove pelo virtuosismo no domínio das técnicas, mas, sobretudo pela constante prática e experimentação, pela continuada inquietação por ver e descrever.

EMÍLIA NOGUEIRO
[Dep. Ciências Sociais :: Escola Superior de Educação :: Instituto Politécnico de Bragança]
[Galeria História e Arte]

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: