sketchbook therapy

the every day experience on drawing for an healthy life

hummingbird redux

Notebook “hummingbird redux
From January 20, to March 31, 2018
Hand made Notebook with soft cover, 135x70mm
20, 80gr flat sheets inside 135x140mm
18 drawings

 

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8 comments on “hummingbird redux

  1. Kevin Claro
    2018/04/19

    É muito fácil ficar apenas a olhar para os teus desenhos. Têm esse poder de deixar o espetador num transe que se vai aprofundado de página em página, de diário em diário. Ponho-me sempre a imaginar a olhar por cima do teu ombro enquanto estas a desenhar, tentar perceber por onde começas, por onde acabas, o que vês nas imagens que escolhes, os padrões, a luz, o vazio.
    Tudo isto para te dizer que, para mim, não existe nada de mais complicado do que olhar para um diário gráfico de uma maneira coesa ao ponto de lhe poder fazer uma critica construtiva, senão dizendo; contínua.

    • sketchbooktherapy
      2018/04/19

      Obrigado Kevin 🙂 as tuas palavras são generosas e motivadoras. Também concordo que há muita complexidade num diário gráfico. Mas são poucos os que têm essa percepção. Ou se calhar somos nós que estamos errados e afinal o diário é só mesmo isso: um caderno!! Porque haveria ser mais do que isso?? Porque é que há alguns que acham que seja mais do que isso?

      • Kevin Claro
        2018/04/25

        Penso que é ao sermos humildes a olhar para as coisas que elas revelam a sua verdadeira intenção. Para mim, um diário gráfico é apenas um diário gráfico, e isso já é complexo o suficiente.

      • sketchbooktherapy
        2018/04/26

        Ser o que é, sem mais nada que lhe seja exterior para o ser, é de facto bastante complexo. De facto, chegar à ontologia do diário gráfico não é simples (ou parece não ser). Haverá alguma ideia de diário gráfico que permita considerado-lo como tal sem necessidade de abordar os discursos que o cercam ou que dele saem?

      • Kevin Claro
        2018/04/30

        Penso que depende de duas coisas: Depende da utilização que lhe é dada, pelo seu utilizador, bem como a diversidade de intenções da pessoa exterior que a observa. Não consigo ver um diário gráfico sem ver alguem dentro dele. Dizendo isto respondo-te que, da minha parte, não. Não consigo considerá-lo apenas como objeto, por não ser deste modo que eu o utilizo. Quando digo “para mim um diário é apenas um diário gráfico” digo-o ironicamente, tendo noção de toda a complexidade por de trás dele. E é aqui que é importante falar da crítica de um diário gráfico – partindo do princípio que a crítica é feita por alguém que também os utiliza – de uma maneira transparente. Uso e sou usado pelos diários gráficos como se de armários se tratassem. São arquivos, gavetas, páginas, gravadores de momentos. São blocos de folhas vazias, que se abrem para recolher informação e se fecham num gesto íntimo. Voltar a olhar para eles é aterrador e motivador ao mesmo tempo e tudo isso devido a essa sua transparência. Transparência de quem os utiliza sem se aperceber da sua preciosidade, da sua importância. Se algum dia existir a curiosidade de me conhecer como pessoa, que sejam observados os meus diários gráficos, pois não existe nenhuma foto, nenhum video, nem nenhum discurso que seja tão coeso sobre mim mesmo como estes o são.
        O exemplo que me vêm a cabeça sobre este assunto é sempre o mesmo: Qual é a diferença dos esboços e da obra final?

      • sketchbooktherapy
        2018/05/10

        No passado dia 28 de abril estive em Óbidos a dar uma conferência sobre o diário gráfico e a relação com viagens. No fim, umas das perguntas mais direcionadas ao meu trabalho pessoal foi no sentido de como é que eu via os meus desenhos mais antigos e se eles reflectiam a minha própria pessoa nesse tempo e se sentia a diferença desse tempo para a actualidade. Depois de pensar um bocadito, respondi que não olhava para os meus desenhos antigos como forma de me encontrar ou reconhecer quem eu era na altura. Na realidade, queria dizer que não usava o caderno como forma de me autobiografar e de arquivar modos de ser para mais tarde entender um percurso. Respondi que, no máximo, faço isso só no âmbito do desenho e só para o desenho, sem querer usa-lo como forma de me encontrar nele ou que ele reflicta o meu “eu”. Respondi também que haveria sempre a possibilidade de haver métodos de análise que pudessem ser usados sobre o caderno de modo que o seu autor pudesse ser emergido parcialmente ou na totalidade, mas que isso não era o que procurava, na medida em que deixaria de ter importância a noção do efeito plástico da obra. Por isso, quando dizes que ” Se algum dia existir a curiosidade de me conhecer como pessoa, que sejam observados os meus diários gráficos, pois não existe nenhuma foto, nenhum video, nem nenhum discurso que seja tão coeso sobre mim mesmo como estes o são.”, fico inquieto, pelo facto de ter que pensar numa noção de obra como desígnio de uma construção identitária, o que me empurra para a necessidade de me posicionar de modo antropológico e não tanto de modo estético. Fico inquieto por pensar que, mais do que analisar o meu juízo sobre tal obra, tenho que analisar a obra independente do meu juízo porque o seu efeito é consequência de um modo de ser de alguém que não a obra e não tanto de um modo de imaginar tal obra. O intimismo que se reclama para o caderno parece empurra-lo em demasia para o misticismo do autor. Pessoalmente gostaria de ver o caderno como um “espaço outro” onde se desacraliza dogmas e se abre à utopia pela imaginação. Talvez seja por este modo que compreenda a diferença entre esboços e obra final: enquanto os primeiros reclamam por mais um momento, a obra final proporciona-se apenas à arqueologia.

  2. Kevin Claro
    2018/06/03

    Seria um erro da minha parte falar na prática do diário gráfico de uma maneira geral – não geral sobre tudo e todos mas da minha apenas, já que até esta é dúbia. É importate deixar claro que não olho nem utilizo o meu diário gráfico como meu amigo, meu psiquiatra, um arquivo para o amanhã, ou até como objeto que me dá a possibilidade de explorar plásticamente novas fronteiras. Isso porque não uso o diário gráfico com um propósito concreto. Até me é estranho escrever isto pois parece irrisório: faço-o diariamente, desde que me lembro, e mesmo assim, faço-o sem querer ou esperar algo em troca, apenas o faço e ele possibilita-me isso mesmo, novas possibilidades. As possibilidades não me interessam. Não quero parecer com esta afirmação assertivo, pelo contrário. É no meio deste jogo de fazer algo sem se esperar algo de concreto em troca que “eu” apareço, a possibilidade não me interessa no seu desenrolar. Num video ou numa foto “eu” não apareço, aparece a minha imagem, e se souber que estou a ser “seguido”, aparece tudo menos “eu”. O tal “eu” aparece então nos diários gráficos pela sua transparência e pela humildade de ser apenas, e tudo, aquilo que é. E é essa humildade que tanto me seduz – estou agora a falar em relação a tudo o que me rodeia e tudo o que alcanço. Para mim, é essa humildade que abre as portas da imaginação para a utopia e desacraliza dogmas, pois não se faz a coisa para ser (não espero algo em concreto) mas como fazer (possibilidade para algo).

    Toda esta conversa começou com a minha incapacidade de ser critico em relação aos teus desenhos para além do; contínua. Isto para te dizer que um dos grandes problemas dos dias de hoje – como o podes ver no desenrolar dos meus comentários acima postados – é o fato de nós não nos conseguirmos afastar de nós mesmos, das nossas referências, incertezas, afirmações, e sermos neutros em relação a aquilo que vemos e aquilo que comentamos.
    Pensando bem, aquilo que eu tanto inconscientemente desejo com o diário gráfico é rebater essa sensação mim mesmo – “eu” como ser palpável, narrável, delinear – inesperando-me.

    • sketchbooktherapy
      2018/06/16

      Também não acho que seja desejável ser neutro ou procurar a neutralidade, até porque é (talvez seja) impossível. Estamos sempre a expressar variáveis subjectivas que nos orientam (e por vezes inconscientemente) para uma visão sempre parcelar e formatada perante os nossos desejos. Para além disto, acredito (à moda de Wittgenstein) que a linguagem e o conhecimento são inseparáveis e portanto as nossas noções sobre uma certa realidade ou idealidade surgem, desde logo, filtradas e mediadas por um sistema (código) de expressão. Portanto o “afastamento de nós”, é uma luta inglória. De facto, a prática diarística tem estado muito conotada com o “eu”. Que “eu” sou quando escrevo/desenho e que “eu” sou quando recepciono o “eu” que pude ser antes? É por esta via que quando olho para um caderno me surge um noema (à moda de Barthes) sobre o caderno: isto pode ser. Talvez como toda a Arte!

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This entry was posted on 2018/03/31 by and tagged , , , , .

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